Alô São Paulo… aquele abraço!

O Rio de Janeiro continua rindo!

Rindo do nosso jeitão apressado, da nossa vida agitada, da nossa poesia concreta e, como diria Caetano, da deselegância discreta das nossas meninas (o que é uma inverdade!). Riem de tudo… quando falamos bolacha, em vez de bixcoito, encanador no lugar de bombeiro…

Riem até do nosso cachorro-quente. No Rio, um hot dog leva apenas salsicha, catchup e mostarda. Em São Paulo, um cachorro-quente é um evento… repleto de maionese, purê (que o paulistano fala pirê), milho verde, ervilha e uma cobertura tsunâmica de batata palha. Eles riem, mas adoram comer quando veem a São Paulo.

Sempre tiraram sarro do nosso famigerado “um chopes e dois pastel”. Mas sempre que está calor o carioca diz que vai vestir um “shorts”. E a gente não ri. Também riem quando falamos mandioquinha, em vez de batata-baroa, quando falamos cândida, em vez de água sanitária… somos assim mesmo!

Não dizemos sinal de trânsito, dizemos farol, não dizemos casaco, dizemos blusa… meu, a gente fala funileiro, em vez de lanternagem e eu queria que alguém me explicasse essa palavra! Aqui em São Paulo, a gente desce do ônibus. No Rio eles saltam. Ônibus aqui tem cobrador. Lá tem trocador. Aqui dizemos periferia. Lá eles dizem subúrbio. Aqui, escola… lá, culégio. Eles vivem dizendo que a gente inventou o gerúndio. Pra se vingar inventaram o funk.

É… o Rio de Janeiro continua rindo e o Brasil inteiro continua vindo! Já não sabemos mais como fazer para alojar e agradar gregos e troianos, baianos e italianos, americanos e sergipanos, pernambucanos e bolivianos, peruanos e cariocas… e todos esses gentílicos terminados em “enses” e “eses”. Mas São Paulo não liga. Nunca ligou. Não tem um Cristo que abra os braços para receber e acolher. Mas tem milhões que abraçam generosamente todos que para cá veem.

Pois é… o Rio de Janeiro continua rindo. Continua lindo. Continua vindo. São Paulo também… sempre rindo, sempre indo. Sempre linda.

Sim… São Paulo, aos 468 anos, continua sendo essa cidade caótica, desorganizada, controversa, contrastante… mas também uma cidade maravilhosa cheia de encantos mil. Sim, uma cidade maravilhosa… coração do meu Brasil.

Aurélio de Oliveira

2 comentários

  1. Isso mesmo, eles riem, dançam funk, vão a praia. Nós deixamos a saudosa maluca, pegamos o metrô das 11 e vamos pra casa do Arnesto, mesmo sem sermos convidados. Adoniran neles!

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