A turma que (não) escreve direito

Verdades, clichês, manias e birras com a imprensa

“O corpo dele foi enterrado”. (Quem imaginaria que enterraram o cara vivo?)

Livros voltados para crianças, mensagem voltada para o público adulto.

(Parem com pedantismo e mandem pros ares esse “para”).

“Confissões” são sempre egomaníacas.

Confesso que tive medo (confessa por que nunca teve medo ou teme ser maricas?), além de colocar o próprio ego acima do resto.

Outra birra antiga minha é o pavor que tantos têm de repetir a mesma palavra no texto. Um exemplo: se o título diz que “Sapo venenoso preocupa agricultores”, logo em seguida o texto informa que “O batráquio será combatido pelas autoridades”. Quantos sabem o que é batráquio. Repetir “sapo”, não é vergonha nenhuma, além do que o feio, útil e inofensivo sapo merece um pouco de consideração.

Coisa velha também é o “diz” ou “disse” após a fala de alguém. Há ainda “argumenta, explica, compara, pondera, diverte-se (às vezes seguido de risos em parênteses).

Tolice, por que não “Entre risos, diz que?”

Quem precisa definir e insistir o estado de espírito do entrevistado não sabe o que escreve.

Revistas de moda e decoração são férteis em “fala, acrescenta, frisa, aponta, acentua, proclama, pondera, finaliza, conclui”. O entrevistado atento deve estranhar: “Será que eu disse tudo isso?”

Fotógrafos, talvez por pressa ou falta de imaginação, inundam jornais e revistas com a mesma surrada foto dos entrevistados: sempre de braços cruzados. Preguiça ou ordem do chefe?

Chegamos agora ao auge do pedantismo. É português correto, mas cai mal. “Está na hora de a onça beber água”, é um exemplo entre dezenas de outros. Quem fala assim no dia a dia?  Você, caro leitor? “Está na hora da onça beber água” é coisa nossa, simples e verdadeira. Muitos desses chatos ficariam chocados com o “dum” (de um) do nosso sábio Aurélio Buarque de Holanda Ferreira em seu indispensável dicionário.

Fernando Morgado