Saturday night fever

O título pode sugerir festa, agito – quem sabe um rodopio e alguns volteios com John Travolta sob luz estroboscópica, ao som contagiante dos Bee Gees dos anos 70 – mas não se deixem enganar: o meu ‘fever’ aí em cima foi usado no sentido literal do inglês! De febre, mesmo!

Não um embalo, mas também não uma febre alta: uma chatinha que me pegou num sábado à noite, pouco mais de vinte e quatro horas depois de ter tomado a quarta dose da vacina contra a Covid, desta vez da Janssen.

A febrinha veio acompanhada de uma dor de cabeça circundante, como uma coroa de espinhos, dessas típicas de gripe. De modo que eu poderia titular esta crônica como ‘Saturday night headache’, mas aí não teria a graça do trocadilho com o filme símbolo das discotecas. Por isso, achei melhor optar pela febre. Que foi menos intensa do que a dor de cabeça, mas muito mais rica em efeitos pictóricos.

Tirando o fato positivo de me arranjar assunto para escrever, a condição de saúde me preocupou. Fazia tempo que eu não sentia febre ou dor de cabeça. Por ter tomado a vacina contra a gripe quase dois meses antes, não seria provável estar à mercê do vírus Influenza, conforme prenunciavam os sintomas.

Podia, então, ser um sinal de que, apesar dos quatro furinhos de vacina no braço, o SARS-Cov-2 tinha me alcançado?

Passei a escarafunchar o cérebro atrás de explicações para o que estaria acontecendo comigo, até que me lembrei do alerta da enfermeira que me aplicou a vacina: a Janssen é a que vem apresentando o maior número de reclamações por reações adversas. A começar pela dor na aplicação. Tomei duas AstraZeneca e uma Pfizer e cheguei a duvidar, uma das vezes, pela total ausência de dor, de que houvesse recebido a picada; no caso da Janssen, por pouco não acreditei estar sendo presenteado com uma versão light da Benzetacil…

A dor na hora é o de menos, porém. Segundo relatos de outras vítimas, e segundo senti na própria carne, as reações vão desde febre, dor de cabeça e indisposição, até tosse, enjoo e calafrios. Pois acreditem meus poucos, mas condescendentes leitores: tive-as todas!

Nunca me senti tão derrubado e às portas de uma UTI quanto a Janssen me deixou! Eu tremia e me arrepiava debaixo de cobertores, mantas e edredons. Esse aconchego me desencorajava de levantar-se para vomitar, mas a tosse curta e persistente por pouco não desencadeou o vômito.

Foram algumas horas de angústia até que consegui dormir, e o sono me ajudou a resgatar parte da saúde. Ainda acordei com a cabeça levemente dolorida e um pouco de tosse, mas o enjoo, a febre e o mal-estar em si se foram.

Não dá para repassar em palavras, claro, exatamente como me senti. Mas posso resumir com uma tomada de posição: se a quinta dose por acaso for da Janssen, deixo a vacina para outro dia, não importa quando!

Marco Antonio Zanfra

3 comentários

  1. Cara, também tomei a Janssen, depois de duas Coronavac e uma Pfizer, e não tive reação adversa. Aliás, não tive reação com nenhuma delas. Mas cada um é cada um, né?
    O bom é que, dez dias depois da 4a. dose, minha filha teve Covid. Eu passava o tempo todo com ela, antes e durante a doença, e meus dois testes foram negativos.
    Quinze dias depois, meu genro. Outra vez, fiz dois testes, com uma semana de diferença, e… negativos.
    Cheguei à conclusão que nem o coronavírus quer se meter comigo!!! .

  2. Zanfra, senti exatamente as mesmas reações após a terceira dose! Jansen! E vou seguir a tua dica: caso a próxima dose for Jansen, vou passar!

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