Quem nunca?

Tietar pessoas famosas e até mesmo políticos nunca foi minha praia. Claro que admiro muita gente. Só que nunca fui de correr atrás, tirar foto, pegar um pedaço da roupa, autógrafo, essas coisas de fãs.

Entrevistei e até tive oportunidade de conviver com muitos famosos. Lembro de querer autógrafos dos tricampeões de 1970, quando houve a Copa Pelé de 1987, organizada pelo saudoso Luciano do Valle.

Estávamos em Ubatuba (SP) e meu cunhado, Narciso James Braz, fazia assessoria de imprensa para o torneio dos sêniors. Na praia, encontramos os jogadores. O Pelé não estava lá. Então, resolvi que queria um autógrafo do Rivelino. O Narciso, autoritário, mandou que me contivesse. Eu? Claro que não!!! Dei a volta na mesa e pedi o autógrafo, deixando o Narciso muito bravo.

Mas a vida dá muitas voltas. Anos depois, na frente do colégio onde minha filha estudava, voltei a encontrar o Rivelino, dono de uma rede de postos de combustíveis; Era onde abastecia meu carro. Ele chegou até a encher o tanque para mim, como um frentista qualquer! E fazia isso, naturalmente, com outros clientes, também, como se, um dia, não tivesse sido tricampeão mundial de futebol!

Não vou contar de artistas, cantores e compositores, porque passei vergonha, ao sentar-me ao lado do Caio Castro, no Aeroporto de Congonhas, conversar bastante com ele e nem saber quem era, embora, naquela altura do campeonato, ele já fizesse muito sucesso. É que, há muitos e muitos anos, não assisto novela, gente!!! Mas tinha visto Ti Ti Ti, com ele. Ainda assim, não o reconheci. Outro dia, até tirei uma foto, com o Paulo Vieira, no Aeroporto de Palmas (TO). Claro que sou fã dele! A foto, mera coincidência, já que pegamos o mesmo voo para São Paulo.

A parte que mais gosto é a política. Trabalhei como repórter na área e aprendi, desde sempre, a saber o quanto os políticos mentem e inventam histórias. Nunca me interessei muito por eles. Fiquei amiga de alguns e outros me consideravam inimiga. Nunca dei a mínima para o que pensavam e me atinha a colocar, nas matérias, os dois lados de qualquer fato.

Meu primeiro amigo político, no Tocantins, foi o Carlos Braga, então presidente da Câmara de Palmas. Em 2006, quando cheguei em Palmas, me deu emprego e a oportunidade de mostrar trabalho. Durante dois anos e meio, fiquei lá e no Jornal do Tocantins.

Uma vez, insisti com ele para liberar ao jornal pesquisa da ONG Transparência Brasil, sobre o gasto das Câmara Municipais das Capitais. A de Palmas era a mais cara. Fiz a matéria, com todas as justificativas dele sobre os gastos. Caiu como uma bomba no estado. No dia seguinte, colegas me acusaram de agir como assessora de imprensa, enquanto até o governador, ligava para o Carlos Braga para saber o que a Jaime Câmara (dona do Jornal do Tocantins) tinha contra ele.

Diante a repercussão, Carlos Braga chamou a mim e ao então assessor de imprensa da Presidência e disse: “Célia, entendo perfeitamente que seu trabalho aqui é um, lá, é outro. Mas vocês dois estão proibidos de voltar a tocar neste assunto!”

Ordem seguida e somos amigos até hoje!

Outra grande paixão que tenho no Tocantins é o ex-governador Siqueira Campos, eleito três vezes. Não éi só a história de criação do estado que me cativa; é ele, com seu jeito de paizão. Quando o conheci, em 2006, disputando com o Marcelo Miranda, não vi aquele coronel raivoso que todos diziam que era. Mesmo porque nunca tive medo de nenhum político nem de retaliação.

Aliás, fazia ao Siqueira perguntas tão ou mais capciosas do que as dirigidas ao Marcelo e a qualquer outro.

Perdeu para o Marcelo, cassado, e, em 2010, contra o Carlos Gaguim, conseguiu se eleger governador, pela terceira vez.

Antes de assumir, costumava fazer coletivas, para anunciar os futuros secretários. Tinha mania de se sentar atrás de mim e ficar me azucrinando. Certa vez, fiz um cone com papel sulfite e me virei para acertá-lo na cabeça. Parei no meio do caminho, ao lembrar que ele era o governador eleito (caramba, quase bati no governador!).

Outro que gosto muito é o Sandoval Cardoso. Nos conhecemos, quando era um simples deputado estadual de baixo clero. Simples e discreto, não gostava muito de aparecer na mídia. Foi o vício que nos aproximou. Fumávamos juntos, todos os dias, na frente ou na parte de trás da Assembleia, e trocávamos muitas ideias.

Em 2013, numa de nossas fugidas para fumar, contou que seria presidente da Assembleia. Como amiga, guardei a notícia, até que se tornou fato. E Sandoval acabou se tornando o 9º governador do Tocantins, após a renúncia de Siqueira Campos e do vice, João Oliveira. A renúncia tinha como objetivo viabilizar a candidatura do filho de Siqueira, Eduardo Siqueira Campos, a deputado. E Sandoval foi eleito governador, indiretamente, pela Assembleia.

No dia da posse, nos encontramos no Palácio Araguaia e perguntei: “Agora, chamo você de governador e de senhor?”

E ele respondeu: “Célia, sou o mesmo homem; só mudou o cargo.”

Então, tá, Sandoval.

Infelizmente, na eleição daquele ano (2014), perdeu para o ex-governador Marcelo Miranda, que já tinha sido cassado uma vez. Uma lástima para o Tocantins! Sandoval abandonou a política, E, com Miranda cassado pela segunda vez, o estado teve três eleições seguidas (uma indireta e duas diretas) em menos de seis meses. Com menos de 32 anos de vida, o Tocantins acabou no fundo do poço, antes mesmo da eleição do genocida.

Em termos nacionais, só um político me chamou a atenção: Marco Maciel. Esteve em Palmas, em junho de 2011, para um encontro do DEM. Fiz questão de tirar uma foto com ele. Sua partida, como a de Ulysses Guimarães, em 1992, deixou mais pobre ainda a política brasileira que, infelizmente, só tem empobrecido, principalmente nos últimos dez anos…

Célia Bretas Tahan