Prefiro os bichos

Não sei se foi a pandemia ou a eleição de um genocida como presidente. O que sei é que as pessoas, mesmo as que eram gentis e educadas, de repente, passaram a agredir as outras, por nada, nas redes sociais. Uma simples pergunta sobre a fonte de uma informação, no post de um jornalista, gera respostas desrespeitosas e agressivas, inclusive do autor, como se a pergunta fosse ofensiva. Uma brincadeira sem malícia, em mensagem de WhatsApp, leva a perda de amigos que você considerava íntimos e que achava que conhecia. O fim de um casamento de mais de 40 anos faz um dos parceiros expor detalhes da vida de ambos, em redes sociais, com ataques imensos e desnecessários à ex-companheira. 

Não sei vocês, mas eu nunca tinha visto tanta demonstração de ódio e raiva, uns pelos outros. Por isso, prefiro os seres sencientes. Para quem não sabe, senciente é um ser sensível, não necessariamente autoconsciente, com capacidade de sofrer ou sentir prazer e felicidade, como parte dos animais.

Viajei por quase um mês (não fui passear, não, só ver pessoas amadas). Veterinária, uma amiga ficou cuidando dos meus três gatos – dois adotados dela, que tem “mania” de resgatar animais abandonados – e dois cachorros – um deles também vindo da casa dela. Os cinco praticamente pararam de comer, enquanto estive fora. Os gatos passaram a se esconder, a ponto de acharmos que poderiam ter fugido. Eu, desesperada e longe; minha amiga, desesperada, procurando em todos os cantos e armários da casa, sem encontrar. Foi a diarista quem nos acalmou (não muito…), dizendo que os tinha visto, dois dias antes.

Ao voltar, meus cachorros pulavam tanto em mim, que tive de tirar o vestido, para não rasgarem. Só se acalmaram dez dias depois, ao ver que eu não iria mais embora. Comer? Foram mais uns três dias de jejum, até decidirem que precisavam se alimentar, para continuar a me fazer companhia.

Os gatos chegavam perto, olhavam e sumiam, como se estivessem bravos. Mesmo com ração nova nas vasilhas, não se alimentavam. Nem o mais glutão deles! Foram dias de tentativas frustradas de afago e de “conversas”, até que voltassem ao normal. 

“É porque sentiram saudades de você”, disse a veterinária. De minha parte, acho que os cinco sentiram medo de que eu os tivesse abandonado. Estavam preocupados, sim, Zanfra! Deixe-me esclarecer para os leitores: Zanfra é um dos escribas desse blog e de livros. Ele disse, num post meu, com os gatos, que nunca viu gato preocupado. Acho que estava brincando, mas deu a ideia para esta história.

Cavalos, onças, leões, girafas, tartarugas, golfinhos, porcos, aves e muitos outros animais são sencientes. Até o gado é senciente, mas só o que fica em fazendas ou no mato.

E você, prefere os humanos ou os animais sencientes? Eu fico com os animais! 

Célia Bretas Tahan

2 comentários

  1. Prefiro os animais com certeza

Deixar uma resposta