No caminho de volta, não encontrei as marcas que deixei no início de minha jornada.

Era uma estrada de terra, empoeirada, invadida em alguns trechos pelo capim seco e ervas daninhas. Não vi pegadas. Nem sinal de vida humana ou animal ao redor. Cenário inóspito. Não tinha como se esconder do sol abrasador. Nenhuma árvore para oferecer uma sombra refrescante. Até o vento parecia exausto, parado. Sem força para assoprar.

Aterrador. Nada parecia estar no seu lugar e então pensei que talvez estivesse na direção errada. Ou era apenas um sonho.

Nada disso. Aquele era mesmo o caminho ou meu descaminho.

Fui, lutei. Algumas vezes venci, outras empatei (talvez). Se perdi ou se chorei, prefiro não lembrar. Estou aqui. Então, pelo menos, sobrevivi.

Mas, esse caminho não indica o caminho certo ou o descaminho. É apenas uma rota, suja, torta, apertada. Precisa sim ser desbravada. Conquistada. Quem sabe onde vai dar. No entanto, apesar dos pesares, é preciso seguir em frente.

Como descobrir se não houve um atalho. Um plano abandonado, mal-entendido. Onde estará minha estrela guia? Meu sol e meu sossego?

Sem bússola, nem nada, acho que apenas segui por essa trilha. Isso, se ela for o caminho que realmente percorri. Acho que o tempo apagou as marcas da ida, ou então, devo ter passado por várias vidas que não voltam mais e nem mesmo o caminho sobrou.

Parei ao lado do caminho tentando entender se eu o perseguia no sentido certo, de oeste para leste, ou se era ele que me perseguia. Quando saí, caminhei em direção ao pôr do Sol, no sentido oeste. Certo. Mas, nada indicava essa rota.

Cansado, adormeci sentado em uma pedra semicoberta de musgos. Sonhei que no caminho de ida, pulei uma pedra. Talvez tenha sido essa. Então, antes de seguir viagem, limpei a pedra. Tirei os musgos, permitindo transparecer um certo brilho numa parte cristalizada. Foi então que olhei para frente e descortinei o Sol nascendo atrás dos montes.

Foi a certeza de que estava, finalmente no caminho certo trilhado durante minha partida. Só que era outro mundo, possivelmente um mundo paralelo.

Entrei nele e esqueci o passado. E fiquei preso no presente. Pensei se não deveria começar tudo de novo! Será que é tarde?

Nereu Leme

2 comentários

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  1. Se foi vivido e virou história, valeu a pena, caro amigo. E vamos enfrentar 2022. sem esse rato da presidência. Morgado.