Até que a morte os separe

Não tive um casamento religioso e por isso não passei por aquelas promessas formais de fidelidade e respeito… na alegria e na tristeza… na saúde e na doença… na riqueza e na pobreza etc… etc… até que a morte os separe… Não fiz esses juramentos por circunstâncias outras, mas, cá para mim, talvez não os fizesse por achá-los dispensáveis. Redundantes, até.

Não creio que valha alguma coisa você prometer diante de um padre manter seus laços de amor e respeito, em situações boas ou adversas, se você não estiver realmente disposto a fazê-lo. Acho que isso está implícito no desejo de casar-se, de unir-se a alguém, pelo menos teoricamente, até o fim de seus dias.

Ora, ninguém é ingênuo a ponto de esperar da vida somente dias felizes, saúde e riqueza. Mesmo nos contos de fada a princesa e o príncipe encantado passam por poucas e boas antes de viverem felizes para sempre.


O companheirismo que une um casal não está nas promessas formalmente ditadas ao padre e aos convidados do casamento. É algo inerente. A dor de um é a dor do outro, porque a dor compartilhada fica menos dolorida, menos pesada.


Lembrei-me dessas promessas matrimoniais – e por causa delas fiz esse arrazoado todo – quando acompanhei as últimas cenas de Tarcísio Meira, meu João Coragem predileto, e seus cinquenta e nove anos ao lado de Glória Menezes, sua musa, sua amiga, sua mulher. Ainda que talvez nem se lembrassem mais disso, tanto tempo passado, mas eles levaram ao pé da letra as promessas. Na saúde e na doença… na alegria e na tristeza… até que a morte os separasse.

Difícil imaginá-los um sem o outro!

Marco Antonio Zanfra